um dia no sub-mundo
então, como parte do meu projeto de virar uma ambientalista, fui ontem ao manguezal da ilha do fundão e ao aterro metropolitano de gramacho, o famoso lixão do rio de janeiro, lá em duque de caxias.
depois de uma palestra, começamos a subir os quase 32 metros de lixo amontoado e já coberto - fora os 10m pra baixo. é grande de perder de vista. já de longe a centena de urubus anunciava que naquele ponto havia lixo fresco, recém-chegado. no primeiro ponto em que paramos, estação de biogás, o cheiro era ruim, mas não tão forte quanto eu imaginei. e aí, a parte difícil. estávamos mo meio do lixo das cidades pobres, chamado de podrão - o lixo nobre, da zona sul, é despejado alguns metros pra frente e disputado a tiro. a menina mais nova do que eu passou comendo um resto de batata ruffles, o homem alto e forte esbravejou "eu quero solução, não visita" e tum! mandou pra dentro um resto de iogurte. felizmente não presenciei o churrasquinho. restos de carne passada da validade jogados fora pelos supermercados fritos pelo fogo que queima mais lixo e ingeridos ali mesmo. o cheiro é inacreditável. evitei prestar atenção em uma pessoa específica, mas não consegui. porque sabia que aqueles olhos verdes tristes e sem vida daquele homem íam me acompanhar pelo resto do dia. mal consegui jantar. acho que não sou capaz de jogar mais um pedaço de comida fora.
a realidade fede.
Escrito por DAISY às 17h51
[ ]
|
voltando àquela antiga série, frases que foram feitas pra mim:
"nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa"
"deixe a vida acontecer. ela tem sempre razão"
(rainer maria rilke)
então... o momento é de perguntas, e não de respostas.
queria voltar pra barriga da minha mãe.
Escrito por DAISY às 15h59
[ ]
|